sexta-feira, 8 de abril de 2011

APENAS UM POR CENTO

As vezes o dinheiro impede o raciocínio. As pessoas conseguem fazer as contas. O que não conseguem é libertar-se do seu faz de conta.Somos todos assim. Enquanto pobres, repartimos maravilhosamente bem.
Assim que entra o primeiro grosso , até nosso um por cento, fica impossível de repartir. Explico-me e conto uma história para ilustrar.
Acontece num grupo de amigos, entre os quais alguns industriais, dois políticos e vários profissionais liberais.Celebrei a missa e ficamos para conversas informais.
Não podia ser diferente.Pintou  o tema pobreza, o que fazer pelas crianças de rua?
As ideias eram muitas, mas nenhuma concreta: ajudar os orfanatos, campanha para as mães pobres, aula de corte e costura, aulas disso e daquilo, cestas básicas, melhores salários e assim por diante.
Mas eram só ideias. Poucos pensavam ser viável assumir aquilo. Arrecadariam algum dinheiro para, quem sabe, a igreja, ou por algum centro com assistentes sociais ajudariam ao menos parte da infância abandonada.
Foi quando joguei uma ideia e disse:" Ninguém de vocês é pobre. Aqui não ha ninguém com menos de 500 mil reais no banco".
Porque não abrem uma conta especial; de maneira que a cada mês, um por cento va´para este projeto"AAPC-( Apoio ao pequeno cidadão)?". "Epa, mas, ai, já são doze por cento ao ano...", refletiu alguém.
E daí? O que é para você,que tem 500mil,dar cinco mil aos meninos pobres da cidade?" Não vai ficar mais pobre por isso"? Feita as contas, um deles conclui: honestamente que teria de dar, mensalmente, vinte mil reais, e isso era demais.
Retruquei que continuava sendo um por cento do que ele tinha no banco.
Votação secreta e o projeto foi descartado: envolveria dinheiro demais. E, assim, morreu no nascedouro o brilhante projeto de ajudar o pequeno cidadão com confecções oficinas, escolas profissionais e coisa e tal,porque, feita as contas, seria dinheiro demais para dar e para começar uma instituição poderia não dar certo.
Estavam brincando de caridadezinha. Enquanto fosse pouca coisa, todos ajudariam, mas um por cento é muito dinheiro quando se tem muito dinheiro!
Se eu tivesse  pedido apenas um por cento de mil reais,teriam dado. Afinal, seriam só dez reais.
O economês não fala a mesma linguagem da caridade: montanhas de dinheiro tiram qualquer perspectiva.
Por isso, e muito mais,Jesus continua atualissimo. O reino do céu não combina bem com as contas bancarias.
Receio que jamais combinará. Os pobres dão 10 por cento enquanto são pobres. Quando passam do milhão, começam a contar cada tostão.
De fato, um por cento do coração é demais, sobretudo quando se tem tão pouca chance de crescer!
Padre Zezinho,SCJ.


Estamos compartilhando? Um por cento é muito?
Quaresma, tempo de reflexão, conversão.

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