O gênero discursivo "diário" como ferramenta para o professor em sala de aula e instrumento para reflexão sobre sua prática pedagógica.
O gênero discursivo "diário", tendo em vista suas características, é um
instrumento que pode servir tanto para o desenvolvimento das diferentes habilidades em sala de aula com os alunos quanto para a reflexão do professor sobre sua prática pedagógica contribuindo para a sua formação.
1. Em sala de aula, uma vez que é um gênero discursivo com o qual a maioria dos alunos está familiarizada (alunos adolescentes normalmente preenchem “cadernos de confidência” que podem ser considerados diários), e, portanto, torna-se muito atraente porque é um registro dos pensamentos e reflexões que refletem o dia-a-dia, onde as descrições são feitas de um ponto de vista pessoal. O diário pode ser usado levando em conta, não somente os elementos lingüístico-discursivos como também os “fins educativos, à medida que apresente possibilidade de tratamento de assuntos polêmicos, adequados à faixa etária e que contemplem os interesses dos alunos.”
PERSPECTIVA INTERDISCIPLINAR
TÍTULO: O diário e as disciplinas de Português, História e Artes.
O diário pode ser explorado, por exemplo, juntamente com as disciplinas de português, história e artes buscando “alargar a compreensão dos diversos usos da linguagem, bem como a ativação de procedimentos interpretativos alternativos no processo de construção de significados possíveis.
No trabalho com a disciplina de português pode-se iniciar com a
análise de diários na língua materna explorando suas características
discursivas e lingüísticas, fazendo um melhor entendimento deste
gênero .
Pode-se também explorar questões lingüísticas e lexicais. Por exemplo,mno diário “Minha viagem para Filadélfia” de 1799 (disponível em, o autor, que é brasileiro, descreve sua passagem pela Filadélfia numa viagem de estudos.
10 de Outubro de 1799
De manhã viajamos ………… milhas e encontramos uma ridiculíssima aldeia.
Aqui morava Mr. Junphreis Marshall, o autor do Catálogo, etc. Paramos em uma estalagem dum quaker, e da casa saiu um velho alto bastante, direito, uma boa figura; uma casaca parda de sarafinacom bastantes remendos mas muito limpa, uma véstia de veludo da mesma cor com umas grandes abas, calções irmãos, umas meias encabeçadas; o seu chapéu de quaker, e um pau na mão com que apalpava o caminho, o que nos fez conhecer que ele era cego. O coronel adivinhou quem era, e uma pergunta nos fez declarar ser o mesmo Mr. Marshall, que nós buscávamos, tio do nosso estalajadeiro, que ainda que segue os princípios quaker contudo está desonrado, id est, excomungado ou fora da comunhão dos outros, porque vende licores na sua taverna, o que pode causar que alguém se embebede (tal é o rigor dos Quakers). Marshall levou-nos para sua casa e começou a mostrar-nos o seu Jardim, que, sendo extenso, está muito maltratado, cheio de erva, depois que ele está cego; porém, ele, a apalpar com o bastão, correu tudo, e nos mostrou todas as plantas que tinham. Entre outras, uma árvore açucareira que ele plantou há 22 anos, e que estava frondosa, dando uma boa sombra, e com bela vista, tinha pé e meio de diâmetro; a Amorpha fructicosa, que é uma árvore de dez pés de alto; tinha a Xantoxilla, que quebrando um ramo dá
a mais bela cor amarela e de que os tintureiros aqui se aproveitam; Via Diariae, que é, segundo as folhas e propriedade da casca, a embira do Brasil. A Magnolia tripetala tem alguma coisa de grande e majestosa, mas as sementes (disse o velho) não se devem guardar secas porque não nascem, é
preciso conservá-las com alguma umidade. Mostrou-me um arbusto (sideretes) a que chamou, se bem o entendi, Clown-worm-wet, que disse era um grande remédio para os peitos das mulheres, quando o leite se enfartava. Fomos com o velho ao meeting dos quakers, e, como ninguém pregava, um dos velhos se levantou a dizer que a razão porque muitos não tinham o espírito era por falta
de atenderem a ele, mas isto tão desconchavado que metia nojo.
HISTÓRIA
No trabalho com a disciplina de história pode-se explorar os diários de navegadores e exploradores. Por exemplo, podemos trabalhar com o primeiro documento escrito na história do Brasil que é a Carta a El Rei D. Manuel, redigida pelo escrivão Pero Vaz de Caminha, no dia 1º de maio do ano de 1500, em Porto Seguro, na Bahia. Nela, Caminha registrou cronologicamente, portanto em formato de diário, suas impressões a respeito do Brasil na época.
Hoje, esse documento está inscrito no Programa Memória do Mundo, pertencente à Organização das Nações Unidas para a educação, ciência e cultura . Poderemos usar trechos do documento e analisarmos a linguagem e estilo usados na época e compará-los com a linguagem e estilo de textos como os blogs. A partir daí podemos desenvolver um trabalho com graus de formalidade e informalidade na escrita de textos, desenvolvendo uma visão crítica a respeito das diferenças apontadas.
ARTES
No trabalho com a disciplina de artes podemos trabalhar com a apresentação dos diários, ou seja, a forma física dos diários, bem como com as ilustrações que frequentemente compõem os textos dos diários.
Podemos explorar então o conceito de “texto” uma vez que imagens e ilustrações também são tidas como textos, bem como o papel de imagens e ilustrações na interpretação de textos .
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
PARANÁ. Secretaria da Educação. Diretrizes Curriculares da Educação
Fundamental da Rede de Educação Básica do Estado do Paraná. 2006.
TÍTULO: O Diário de Anne Frank
Disponível em
http://www.starnews2001.com.br/anne-frank/diary.htm; acesso em
dez. 2007.
O Diário de Anne Frank contém seus pensamentos e reflexões na forma de cartas nas quais relata sua vida cotidiana ao mesmo tempo em que questiona sua situação durante o tempo em que permaneceu escondida num refúgio no centro de Amsterdam entre 12 de junho de 1942 a 1 de agosto de 1944. É a reflexão e o desabafo de uma adolescente que acredita que um dia voltaria a viver em liberdade e feliz.
TÍTULO: Minha Vida de Menina
Minha Vida de Menina é um clássico da literatura brasileira. É um diário
escrito pela brasileira Alice Dayrell Caldeira Brant sob o pseudônimo de
Helena Morley sobre sua infância e adolescência em Diamantina.
VÍDEOS
TÍTULO: O Diário de Bridget Jones
DIREÇÃO: Sharon Maguire
DURAÇÃO: 01:12
ANO: 2001
Disponível em http://www.adorocinema.com/filmes/diario-de-bridgetjones/
diario-de-bridget-jones.asp
Comentário: Comédia romântica que revela o dia-a-dia da trintona Bridget Jones (Renée Zellweger). Aos 32 anos ela é uma mulher frustrada, insegura e cheia de problemas e vícios. Entre as resoluções de ano novo ela decide escrever um diário. Bridget Jones revela, a cada capítulo, as suas qualidades e os seus defeitos, além de expor com muito humor situações que fazem parte do dia-a-dia de várias mulheres na faixa dos trinta anos: problemas com o trabalho, a busca do homem ideal etc. Cada capítulo do livro trata de um determinado dia na vida desta anti-heroína, que sempre inicia o seu relato
contabilizando o peso e as calorias, cigarros e unidades alcoólicas que consumiu no dia anterior.
TÍTULO: Diários de Motocicleta
DIREÇÃO: Walter Salles
DURAÇÃO: 01:08
ANO: 2004
Comentário: Em 1952, o futuro líder da Revolução Cubana Che Guevara (Gael García Bernal) era um jovem estudante de Medicina. Ele e seu amigo Alberto Granado (Rodrigo de la Serna) viajam pela América do Sul em uma velha moto, que acaba quebrando depois de oito meses. Mas eles seguem em frente, arranjando caronas e fazendo longas caminhadas. Depois de passar por Machu Pichu, chegam a uma colônia de leprosos na Amazônia Peruana, onde começam a questionar o valor do progresso econômico, que privilegia apenas uma parte da população, deixando muitos em situação precária. A experiência na colônia foi decisiva para o surgimento das personalidades históricas
que se tornariam alguns anos depois.
Filme interessante que discute o idealismo e o estereótipo do líder político, o mito do poder que o cerca e através do seu diário a própria personagem tenta explicar que pelo seu ponto de vista poder é ódio.
O longa ganhou o Oscar 2005 de melhor canção com Al Otro Lado del
Río e colocou Walter Salles no cluble dos grandes diretores com
reconhecimento nos Estados Unidos.
PROPOSTA DE ATIVIDADE
ATIVIDADE 1
TÍTULO: O diário na sala de aula
Tipo de atividade: Análise do diário de um aluno.
Objetivos a alcançar: a partir da análise de um diário, os alunos escrevem seu próprio diário.
Desenvolvimento: discussão e atividades A e B desenvolvidas em grupo.
Atividade C desenvolvida individualmente.
Avaliação: Avaliação da atividade do aluno.
Peça aos alunos que observem as características presentes nas duas
páginas do diário abaixo e que desenvolvam as atividades sugeridas a
seguir.
http://www.flickr.com/photos/lij/122525716/1. Que tipo de texto é o da figura?
2. Em que língua foi escrito?
3. O autor usa uma linguagem coloquial ou formal? Como é possível
reconhecer?
4. Há alguma semelhança entre o seu caderno de classe e o da figura?
5. Quais as smelhanças/diferenças entre o que você vê na figura e um blog?
6. Você consegue dizer alguma coisa sobre o autor deste texto?
Peça aos alunos que criem um diário, por exemplo, sugira que escolham uma data na semana e descrevam alguma atividade ocorrida naquele dia ilustrando a página. Discuta as características do texto a ser produzido, por exemplo, linguagem informal e pessoal, etc. antes de iniciarem a atividade. Recolha, faça a correção e comentários pertinentes em relação ao conteúdo e exponha o trabalho para a apreciação dos outros alunos. Esta atividade pode se tornar uma atividade de compreensão de texto a partir de perguntas sobre os
diários, por exemplo.
DESTAQUES
TÍTULO: O diário como resgate da nossa história.
Relatos encontrados em diários nos ajudam a conhecer melhor a nossa
história. Por exemplo:
O Diário de Vasco da Gama
Encontramos nas notas explicativas do clássico de Luis de Camões, Os
Lusíadas, referência ao diário de Vasco da Gama usada para corroborar
informações presentes nesta obra:
“Porém já cinco Sóis eram passados”: Barros e Castanheda dizem que
a armada passou o cabo da Boa Esperança em 20 de Novembro.
Castanheda acrescenta: “quarta-feira”. O diário de Vasco da Gama diz:
“E ao domingo pela manhã, que foram dezanove dias do mês de
Novembro, fomos outra vez com o cabo, e não o pudemos dobrar,
porque o vento era su-sueste e o dito cabo jaz nordeste-sudoeste; e
em este dia mesmo virámos em a volta do mar, e à noite de
segundafeira viemos em a volta da terra. E à quarta-feira, ao meio-dia,
passámos pelo dito cabo ao longo da costa, com vento à popa.”
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